Tirando o pó da câmera: workplaces

Por Bito, o retirante, 18 de agosto de 2010 16:30

Uma das melhores formas de desopilar um pouco é pegar a câmera e dar uns cliques como quem enche o saco de areia de porrada na academia, sabe? Já fiz isso algumas vezes na DM9 e na Abril tb… hj foi dia de fazer na Talk.

Acarajé da Evilásia, Feira da Torre - Brasília-DF

Por Bito, o retirante, 17 de agosto de 2010 17:23

Ola amigos e amigas do meu Brasil. Me desculpem pela ausência. Estou devendo aqui a publicação de duas avaliações que fiz nesses últimos 5 meses. A primeira é a que segue abaixo.

Na Feira da Torre, ponto turístico obrigatório e clichezão de Brasília, temos três barracas de acarajé coladinhas. O Acarajé da Mainha, o Acarajé do Meio e o Acarajé da Evilásia, que tive o prazer (sic!) de tentar experimentar.

evilasia1

Pelas primeiras palavras vocês já podem imaginar como sofre um degustador de acarajés nesse brasilzão de meu Deus. Mas vamos em frente.

Primeiro, o local: Dona Evilásia é talvez a mais baiana das baianas que encontrei fora de Salvador. Aquele olhar desconfiado, aquele jeito maroto de falar sem que a gente perceba se ela tá tirando uma com a nossa cara ou está sendo simpática. A Feira da Torre é até bacaninha, mas o clima dessa barraca já indicava que coisa boa não viria pela frente. Mas eu perseverei!

Negra, vestida de branco e, de vez em quando sorridente, de vez em quando mal-encarada. Tudo como deve ser.  A feirinha também é uma atração bacana que comento num outro post separado.

Apresentação: É na apresentação que o negócio começa a complicar. Quando eu vi o primeiro acarajé passar pela minha frente, pensei alto: “to com medo”. Mas fui corajoso e pedi o meu completo.

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Só de lembrar me dá enjoo. O exagero de acompanhamentos com uma cara de nada apetitosos me virou o estômago. O guardanapo que se desfaz em poucos segundos. Será que ninguém entendeu como tem que ser o papel do acarajé?

Mas se o papel fosse o maior dos problemas eu não teria sofrido tanto. Percebeu a cor do “molhadinho” no papel toalha? Percebeu as folhas verdes em cima do camarão? Percebeu a sutileza da cor da massa internamente? São todos sinais de que havia algo muito errado!

Acompanhamentos: Mais um com camarão albino, o que já faz a nota cair pela metade. Mas como não consegui sentir o gosto do vatapá e do camarão, nem da salada, muito menos da pimenta, não há o que descrever.

evilasia_acomp

Ah! pq eu não consegui sentir o gosto de tudo? Explico logo abaixo.

Apresentação interna: Calma! Se vc acabou de comer ou se tiver estômago fraco, pode parar de ler, feche os olhos, desabilite a visualização de imagens pq o que virá a seguir é forte. Nem sei se consigo descrever, inclusive.

evilasia_internaAo morder, o susto. Lembra de todas as vezes que falei da importância da massa estar sequinha por dentro? Lembra que falei da importância da casquinha ser crocante? Parece que esse foi um castigo dos céus! Uma reunião de tudo o que há de pior num acarajé (acho que pior só se a massa estiver crua por dentro, coisa que já aconteceu comigo).

Gosto: Impossível falar sobre o gosto pq simplesmente eu não consegui comer. Só dei uma mordida e não tive coragem para engolir. Juntei o restinho de forças que eu tinha, já passando mal, para inspecionar melhor o acarajé e aí me deparei com o tiro de misericórdia:

evilasia_bolinhoParece um bolinho de carne, ou um kibe, mas não é. E mesmo que fosse, a aparêcia é péssima. Fico enjoado só de ver essa foto.

Preço: Na verdade, pouco importa nesse caso. Nem de graça coma uma coisa dessa. Nem que te paguem. Mas como esse é meu trabalho, informo que essa tortura custa R$ 4,00, só que se vc contabilizar a conta do plano de saúde que vc PRECISA ter se for experimentar, o preço é salgado demais!

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Conclusão: Nem considero esse como um acarajé. É a coisa mais horrorosa que alguém poderia servir na vida. Um atentado! Nota zero, óbvio. Nunca achei que daria um zero nessa minha peregrinação, mas esse aí foi demais. Muita gente com quem comentei sobre o assunto me pediu para dar uma segunda chance, para ir lá novamente e experimentar de verdade. Eu não tenho coragem. Se alguém for, por favor, deixe seus comentários e, principalmente, coloque fotos para mostrar que eu tive azar nesse dia e que o Acarajé de Evilásia não é prejudicial à saúde.

OBS - Considero “nota 10″ o acarajé mais próximo do genuíno. Não fico comparando esses acarajés de fora de Salvador com os de Dinha, Cira ou Regina… pq é covardia. Ganha 10 quem conseguir servir um acarajé “como na Bahia” de verdade. Estamos conversados?

Quem estava lá: Fui com Vanessa, companheira de todas as horas, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e, nesse caso, na doença. Quando comecei a passar mal por causa do acarajé, depois de ter feito a última foto, levantei para “dar uma volta” e respirar um pouco. Vanessa pagou a conta e sabia que me encontraria perto de uma lata de lixo qualquer. Quando me encontrou, olhou para mim com piedade e me levou para casa.

Veja os outros reviews:

Experimentando acarajés pelo Brasil

A Feira de Artesanato da Torre fica na Torre de TV, Eixo Monumental Oeste - Brasília - DF.
Horário de Funcionamento: Sábado, domingo e feriados das 08 às 18h

[TALK] As Redes Sociais na era de sua reprodutibilidade técnica

Por Bito, o retirante, 17 de agosto de 2010 16:19

A forma como o mercado de comunicação percebe e utiliza as redes sociais na primeira década do século XXI sempre me chamou a atenção. Um tratamento massificador de organismos essencialmente autênticos que me causa estranhamento, tanto quanto a fotografia e o cinema causaram a Walter Benjamin, em relação à obra de arte.

Paro aqui a minha reflexão para, primeiro, situar no tempo e no espaço o meu objeto de reflexão, que são as redes sociais dentro do mercado de comunicação social, publicidade, jornalismo, marketing e relações públicas, no início do século XXI, época de extrema exposição e valorização dos recursos chamados 2.0 na internet comercial.

Segundo, para me desculpar pela comparação do meu pensamento ao de um dos maiores expoentes dos estudos de teorias da comunicação, ainda mais por usar um dos textos frankfurtianos mais conhecidos e reconhecidos.

O objetivo foi me apropriar de uma construção já estabelecida para chamar a atenção e também traçar um paralelo entre a reprodutibilidade técnica, a autenticidade e valor de exposição, a aura, e o valor de eternidade, apontados por Benjamin no que se refere às obras de arte, ao contexto das redes sociais.

Abro um outro parêntese para pontuar o que acredito que sejam redes sociais. Segundo Augusto de Franco, em Escola de Redes – Novas visões sobre a sociedade, o desenvolvimento, a internet, a política e o mundo glocalizado:

“O que é chamado de mundo das redes, todavia, não é o mundo físico que pode ser visto, mas um multiverso de conexões que não se vê, ao qual só se pode ter acesso por meio da ciência ou da imaginação” … “Redes são sistemas de nodos e conexões. No caso das redes sociais, tais nodos são pessoas e as conexões são relações entre essas pessoas”(FRANCO, p 37)

Posto isso, me aproprio de algumas citações destacadas do texto A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (livro Walter Benjamin – Obras Escolhidas: Magia e técnica, arte e política – Editora Brasiliense) para construção deste paralelo.

Reprodutibilidade técnica

“… a reprodução técnica atingiu tal padrão de qualidade que ela somente podia transformar em seus objetos a totalidade das obras de arte tradicionais, submetendo-as a transformações profundas, como conquistar para si um lugar próprio entre os procedimentos artísticos” (BENJAMIN, p.167).

Quando Walter Benjamin apontava que a reprodução infinita de uma obra de arte como a Mona Lisa, por exemplo, sua argumentação indicava que as reproduções eram apenas simulacros dos seus referentes originais. Assim são também grande parte das redes sociais em evidência na web atualmente.

Um recente vídeo produzido pela Agência Click (LINK: http://www.youtube.com/watch?v=DmRsQibIOWg) mostra, sem ser este o seu objetivo,  como esta cultura da reprodutibilidade técnica atingiu um estágio tão avançado que não se limita a reproduzir apenas obras e objetos tangíveis, mas também se aventura na reprodução de relações sociais, conexões entre as pessoas e construção de conhecimento.

“Pesquisas apontam que só em 2008 mais de 12 milhões de PCs foram vendidos…”, diz o texto do vídeo. E continua: “O brasileiro gasta em média 23 horas e 12 minutos por mês conectado à internet” e “Entre estes brasileiros, 79% fazem parte de redes sociais”.

E o que consideram redes sociais? Orkut, Facebook, Twitter, Blog, Flickr, Youtube e uma infinidade de ferramentas disponíveis por aí. No momento em que o mercado se apropria destes números, se gabando de que “as redes sociais agregam mais de 55 milhões de usuários”, fincam no coração da sociedade mundial a bandeira que indica o sucesso na reprodutibilidade técnica das relações sociais.

Mas isso não é um privilégio da Agência Click, ou do mercado brasileiro. É um fenômeno mundial. É só fazer uma pesquisa no Google para achar apresentações e mais apresentações com o mesmo discurso construído, no qual o crescimento da exposição e do volume são muito mais importantes  e relevantes do que a autenticidade destas redes.

Autenticidade

“A esfera da autenticidade, como um todo, escapa à reprodutibilidade técnica, e naturalmente não apenas à técnica” … “A autenticidade de uma coisa é a quintessência de tudo o que foi transmitido pela tradição, a partir de sua origem, desde sua duração material até o seu testemunho histórico” (BENJAMIN, p 167 e 168).

Quando Benjamin destaca a inexistência de autenticidade em produtos oriundos da reprodutibilidade técnica, vai ao cerne da questão do modo de produção capitalista – modo este que o pensamento da Escola Crítica, da qual o autor faz parte, descasca e condena.

A reprodutibilidade técnica das relações sociais, expressas nesse fenômeno de uso das ferramentas de redes sociais digitais, acaba com o caráter autêntico de tais relações.

Os vestígios existentes na construção de relações autênticas – lembranças, afinidades, espera, saudade, desentendimentos etc – que são transmitidos pela tradição, simplesmente não existem, ou são incidentais e quase imperceptíveis nas relações sociais construídas através da reprodutibilidade técnica. Não é possível perceber o “aqui e agora” (BENJAMIN, p 167) destas relações.

Ter 300 contatos no ICQ, ter 999 amigos no Orkut, fazer parte de uma comunidade com 15 mil membros, ou possuir 70 mil seguidores no Twitter não significa, necessariamente, estabelecer uma relação social com todo esse universo. Ao contrário, quando maior a exposição destas relações sociais e o acesso das pessoas a estes múltiplos canais, menor será a relação social entre estes indivíduos.

Nestes casos, para grande parte da massa só são estabelecidos o que Mark Granovetter chama de laços fracos (weak ties). Não se discute a importância de tais laços na formação e dinâmica de redes sociais autênticas, quando analisados junto aos laços fortes. O ponto crítico destas redes massificadas é justamente a inexistência de laços fortes (strong ties) que dão estabilidade e caráter original ao sistema.

A pesquisa do antropólogo da Universidade de Oxford, Robin Dunbar, sugere que os seres humanos não são capazes de administrar uma rede de amigos com mais de 150 indivíduos. Em entrevista concedida ao Times (http://technology.timesonline.co.uk/tol/news/tech_and_web/the_web/article6999879.ece), do Reino Unido, o antropólogo afirma:

“O interessante é que você pode ter 1.500 amigos, mas, quando você olha o tráfego dos sites, é possível notar que as pessoas mantêm o mesmo circulo de amigos que gira em torno as 150 pessoas, o que ocorre também no mundo real”

Estas pseudo-redes com milhares de indivíduos pseudo-conectados não são autênticas, não possuem tradição, e quando colocadas umas ao lado das outras, são iguais. São uma vaga lembrança das relações sociais experimentadas em diversos ambientes, inclusive na internet, mas, ao contrário destas, não têm força de transformação, muito menos de sustentação. São ocas. Não possuem aura.

Não quero dizer aqui que toda manifestação proveniente destas redes não tem autenticidade. Alguns flashmobs, por exemplo, possuem uma carga genuína e assustadoramente transformadora. Mas estes não são maioria.

Aura

“Em suma, o que é a aura? É uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja”. (BENJAMIN, p 170).

A destruição da aura anunciada por Benjamin, quer dizer a morte da ligação entre relações sociais e uma história presa no passado, que não pode ser tocada, apenas sentida, no presente. A reprodutibilidade de redes sociais não autênticas faz com que tenhamos uma relação presente que não tem história passada, não tem os vestígios da autenticidade, e, consequentemente, não tem aura.

“Fazer as coisas ‘ficarem mais próximas’ é uma preocupação tão aproximada das massas modernas como sua tendência a superar o caráter único de todos os fatos através de sua reprodutibilidade técnica” (BENJAMIN p 170)

Destaco esta citação ainda dentro do contexto da definição de aura para tirar um pouco do peso da responsabilidade das organizações – incluindo as agências de comunicação – neste processo de reprodução artificial de relações sociais. Quem força este cenário hoje é a própria massa, desarticulada, pseudo-educada, faminta por relações artificiais por não conseguirem dar conta de esperar a gênese de relações singulares e autênticas.

Estar nestas redes digitais nos dão uma impressão de pertencer a uma turma, a um grupo, a uma comunidade, mas, na verdade, o indivíduo não pertence. O indivíduo participa como mero espectador de outras relações às vezes tão vazias quanto as suas.

Por tanto, não temos aqui um problema mercadológico apenas. O problema é social e deve ser encarado como tal. É preciso recriar a cultura da colaboração, participação e interação fora da normatividade hierárquica e repressiva, que se disfarça de uma falsa cultura de colaboração e engajamento ao se apoiar em ferramentas de fórum e debate extremamente controladas.

Valor de eternidade

“Os gregos só conheciam dois processos técnicos para a reprodução de obras de arte: o molde e a cunhagem. As moedas e terracotas eram as únicas obras de arte por eles fabricadas em massa. Todas as demais eram únicas e tecnicamente irreprodutíveis. Por isso, precisavam ser únicas e construídas para a eternidade” (BENJAMIN, p 175).

Tal qual as esculturas gregas, irreprodutíveis àquela época, as relações sociais estabelecidas antes da exposição massificada também eram construídas para a eternidade. Amizades, correspondências, organizações de grupos eram estabelecidos sem as facilidades promovidas pela sociedade da informação e conexões digitais.

O que aconteceu foi que perdemos a mão. De forma desenfreada deixamos de usar as ferramentas como facilitadores na construção de relações para transformá-las na própria essência da relação. Quando uma relação social é reproduzida nos moldes da reprodutibilidade técnica, as conexões reais e duradoras estabelecidas não se dão entre os indivíduos, mas entre as máquinas. A rede passa a ser técnica e não social, e pode ser destruída ou substituída por qualquer outra ferramenta sem perda efetiva dos valores de autenticidade, uma vez que eles quase não existem nestas condições.

Resgate da aura

A reflexão, no entanto, me leva a buscar formas de resgate da aura das relações sociais em rede, principalmente no contexto das redes sociais digitais. Exemplos não faltam de redes autênticas e singulares na internet.

Destaco organismos como o Couch Surfing, Mumsnet, The People Speak, Slice the pie, Ebbsfleet United, Zopa e Linux, todos presentes no interessantíssimo documentário Us Now (http://www.imdb.com/title/tt1555154/), dirigido por Ivo Gormely, que conta histórias de como a sociedade organizada em rede distribuída baseada na colaboração e na internet está transformando o nosso mundo.

(você pode ver o documentário na íntegra clicando aqui, ó)

No Brasil a Escola de Redes (http://escoladeredes.ning.com/), Movimento Blog Voluntário (http://www.blogvoluntario.org.br/), e Voluntários Online (http://www.voluntariosonline.org.br/), por exemplo, surgem como redes sociais que se sustentam pelo desejo de permanência, de eternidade. E existem muitos outros por aí.

Junto à “existência serial” (BENJAMIN, p 168) das redes sociais digitais, que parecem sufocar o usuário e chamar toda a atenção do mercado, nascem e renascem relações que se utilizam da internet para potencializar seu poder de transformação.

Ainda podemos resgatar a aura perdida das redes sociais, mas, para tanto, é preciso mostrar o valor e o retorno possíveis com a construção de relações mais maduras e autênticas.

[TALK] Compra coletiva: quando a galera resolve se juntar

Por Bito, o retirante, 16 de julho de 2010 16:03

Quando eu tinha uns 12 anos ganhei na escola um cupom para fazer um curso especial, um tipo de clínica de futebol. Minha empolgação esbarrou nas letras miudas na parte de baixo do cupom, que informavam que a promoção só tinha validade caso eu levasse mais 10 pessoas comigo, além de pagar uma módica quantia em dinheiro da época, claro.

A frustração da minha infância me fez criar um tipo de resistência quase patológica a todo tipo de programa de compra coletiva, como inscrição em cursos, por exemplo. Quando eu vejo que para o curso (ou a venda) acontecer é preciso ter um número específico de interessados já sinto um frio na espinha.

Mas a parte boa é que para cada patologia há um remédio, e as compras coletivas voltaram à minha vida graças às mídias sociais. No momento em que os sites de compra coletiva bombam nos EUA e começam a despontar também no Brasil, vejo que ainda há uma saída: é possível juntar a galera para comprar.

Sites de compra coletiva, fique de olho:

- ClickOn
- Compra3
- Peixe Urbano
- Twongo
- Living Social
- GroupOn

Na realidade, as redes sociais sempre foram peça fundamental neste processo. A minha família, meus amigos de escola e meus amigos da rua compunham a minha rede social, digamos, acessível, quando eu era criança. Agora com a midiatização das redes parece que as coisas ficaram mais fáceis.

Usar a internet para o sistema de compra coletiva é uma das famosas tacadas “ganha-ganha”. Todo mundo fica feliz.

Primeiro o consumidor, que sabe que pode contar com sua comunidade do Orkut, seus amigos do Facebook e Twitter, ou aquele fórum ou grupo de discussão por e-mail. É bom também para o próprio site de compra coletiva, que pode anunciar para o nicho específico aquela oferta e consegue ampliar sua audiência, podendo ganhar mais com publicidade e outras promoções. E o comerciante também ganha, já que ele vende o seu produto, faz com que sua marca e seu serviço sejam mais conhecidos… ganha mídia.

O que acontece aqui é uma união do boca-a-boca com a propaganda que sempre dá resultados positivos. O grande barato das mídias digitais é justamente essa junção do potencial de alcance e volume da propaganda com o potencial relacional das conversas nas redes.

Um dos responsáveis pela área de comunicação e relações públicas da Disney, Duncan Wardle, falou no ano passado “people no longer trust brands”, fazendo uma alusão à importância do boca-a-boca e da comunicação em mídias sociais. E a expressão é cada vez mais comum na rede, sobretudo nas agências digitais.

Eu não acho que seja tanto assim. As pessoas ainda consomem publicidade, meios de massa, etc. Mas o papel das redes sociais no processo de decisão de compra sempre foi muito relevante. Você sempre consultou a sua rede social para comprar as coisas, para tomar decisões. Sempre pediu opinião para seu pai, seus irmãos, seus amigos. O que as pessoas fazem agora é usar a sua rede mais acessível na web, midiatizada, neste processo.

[TALK] A diferença entre popularidade e influência em Mídias Sociais – ou um pouco mais sobre o The Influence Project

Por Bito, o retirante, 7 de julho de 2010 17:35

It takes tremendous discipline to control the influence, the power you have over other people’s lives (Clint Eastwood)

Post em co-autoria com Daniel Souza

Quando a Fast Company lança a campanha The Influence Project para saber quem é a pessoa mais influente no mundo online, dá até uma falsa sensação de que iremos finalmente encontrar quem é que dá as cartas e as ideias na web.

Tamanho das fotos no The Influence Project está relacionado com a influência daquele perfil

Tamanho das fotos no The Influence Project está relacionado com a influência daquele perfil

Mas não precisa ser muito inteligente para refletir sobre o tema e questionar o que é essa tal de influência que eles estão medindo. Na proposta, relaciona-se influência à quantidade de cliques num link enviado por determinada pessoa para sua rede. Mas isso é influência mesmo?

Não é a minha intenção aqui desconstruir e desconsiderar o trabalho da Fast Company, mas apenas apontar alguns argumentos que podem nos livrar de armadilhas no mercado de comunicação digital. Quem trabalha na área sabe bem como é chegar numa reunião de briefing e ouvir o cliente dizer que quer ter mais seguidores do que o José Serra, ou o Luciano Huck.

O psicólogo Herbert Kelman, da Universidade de Harvard, indica o que seriam as três vertentes da influencia social: conformidade, identificação e internalização. Percebo estas três vertentes como gradações de influência, ou seja, uma evolução da relação entre os indivíduos que vai desde a resposta favorável a um chamado para ação, passando por uma assimilação superficial, parcial ou completa, de determinadas características, chegando, por fim, a uma transformação efetiva no comportamento social, tanto na esfera pública quanto na esfera privada.

Sendo assim, essa influência medida pelo The Influence Project revela apenas parte da primeira vertente da influência social, que é mais frágil e mais rasa de todas.

Medir volume de menções, cliques, visualizações de páginas, número de seguidores e amigos já não é tão importante. O que importa verdadeiramente é a qualidade de interação, a replicação das idéias e argumentos em outros contextos e ambientes.

De fato, apontar os mais influentes será sempre uma tarefa ingrata pela nossa necessidade de automação de respostas e resultados. Queremos medir a influência com um número mágico, que é resultado de um reflexo condicionado, um clique num botão.

Recentemente a Sysomos divulgou um estudo no qual aponta os hardusers do Twitter como mais influentes do que as celebridades presentes no sistema de microblog. Apesar de terem milhares ou milhões de seguidores, os famosos têm menos autoridade e influência sobre eles do que os “pesos pesados” da web. Este resultado já dá uma ideia da diferença entre quantidade e qualidade, mas ainda é pouco.

Enquanto isso, no TweetLevel, os TOP5 do ranking de influência são:

tweet_level_top

Faz algum sentido?

A real influência, ou a influência que realmente agrega valor (inclusive financeiro), está ligada à conversão, ou ao engajamento. A própria comunidade online já reconhece isso e espera um pouco mais das ações de mobilização. Produza um vídeo, faça um post, plante uma árvore, vá às ruas. Já é assim que se mede e se reconhece influência na web.

Como eu posso afirmar isso? É só acompanhar o buzz gerado pela campanha no Twitter. Tirando a blogosfera brasileira [sic] que ainda nem falou sobre isso, e quando falou, foi  para um CTRL+C e CTRL+V do release “inspirar e colocar as pessoas para pensar do que para analisar o significado da palavra influencia”, centenas de pessoas vêm criticando o The Influence Project.

E começa o mimimi sobre o The Influece Project

E começa o mimimi sobre o The Influece Project

(Vejam alguns exemplos: aqui, aqui e aqui ó)

Neste sentido, acho que um dos caras mais influentes da web brasileira é o Augusto de Franco, que consegue reunir milhares de pessoas e torná-las tão responsáveis quanto ele pela Escola de Redes, e que consegue fazer com que essas pessoas se encontrem, troquem informações, insiram em seus estudos e textos as ideias que compartilham na escola.

Ainda sobre o tema, recomendo a leitura do excelente artigo da Amber Naslund, How Fast Company Confused Ego with Influence.

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